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Funceme participa de reunião do COEMA-CNI

Presidente Eduardo Martins apresentou estudo sobre impactos das mudanças climáticas nas vazões dos reservatórios do setor elétrico

A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) participou da 91ª reunião do Conselho Temático de Meio Ambiente e Sustentabilidade (COEMA) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que reuniu lideranças empresariais nesta quarta-feira (25) para debater a situação da água no país, em especial nas regiões Sudeste e Nordeste. Representantes do governo federal e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) também participaram do encontro, em Brasília, para apresentar cenários e discutir soluções conjuntas para a escassez hídrica.

Ao fim da reunião a orientação foi de que os setores industriais e a sociedade devem manter a atenção em relação ao uso racional dos recursos hídricos, independentemente do aumento no volume de chuvas nos meses de fevereiro e março.



O presidente da Funceme, Eduardo Martins, falou aos participantes sobre os “Impactos das Mudanças de Clima nas Vazões Afluentes dos Reservatórios do Setor Elétrico”, tema de projeto da instituição cearense com parceria da Agência Nacional de Águas (ANA) e Universidade Federal do Ceará (UFC). Através de um modelo de simulação hidrológica (SMAP) o projeto busca mensurar o impacto das mudanças climáticas no processo de alocação de águas do Rio São Francisco. “Estamos na fase de conclusão dos produtos e acredito que  estudos semelhantes podem ser aplicados em outras bacias”.

Prioridades

Marcos Guerra , presidente do COEMA e da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (FINDES) , ressaltou que o setor produtivo tem tratado com prioridade as políticas de incentivo ao uso eficiente da água. Na avaliação de Guerra, a atual crise é reflexo da falta de gestão por parte do poder público. “As questões hídricas e energéticas do país foram muito mal cuidadas nos últimos anos”, disse.

Ao comentar o cenário hídrico nacional, o secretário-geral do COEMA e gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Shelley Carneiro, destacou que a indústria tem desenvolvido bons trabalhos de recirculação e reuso da água. Ele defende que o setor industrial contribua com o governo na busca de soluções para uma gestão mais eficiente da água. “A indústria tem capacidade tecnológica e pode fazer parte de um processo mostrando que é possível haver uma solução mais adequada para a gestão da água no Brasil”, afirmou Carneiro.



Já a secretária-executiva do Conselho Empresarial para o Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Patrícia Boson, criticou a forma como os governos vêm tratando a água. Patrícia, porém, elogiou a capacidade de técnicos do governo, embora tenha lamentado o fato de alguns planos não saírem do papel no âmbito político.

O diretor da Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, Marcelo Medeiros, observou que o desafio para o poder público é encontrar uma forma mais sustentável para a região Sudeste, onde a demanda por água vem aumentando consideravelmente a cada ano. Segundo ele, o ministério trabalha em projetos específicos para atenuar as repercussões da escassez hídrica nos estados da região.
 
Parceria

A eficiência hídrica e energética do setor industrial foi elogiada pelo secretário de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Carlos Gadelha. “Há casos de mais de 98% de reuso da água em empresas”, frisou. Ele detalhou que a pasta definiu como prioridade contribuir para que a indústria assuma seu papel de protagonista na estratégia de desenvolvimento. Para o secretário-executivo do COEMA, a parceria entre MDIC e CNI será fundamental para a retomada do crescimento da indústria brasileira. “A gente tem conseguido avançar muito em pontos essenciais”, afirmou Shelley Carneiro.

De acordo com o diretor de Competitividade Industrial do MDIC, Alexandre Comin, o ministério fez levantamentos que mostram que empresas e empregos estão em risco em regiões de escassez hídrica. “Os primeiros resultados são preocupantes. Existe uma quantidade enorme de empregos e indústrias expostas a riscos nas bacias do Cantareira e do Paraíba do Sul”, frisou. Comin destacou que o MDIC entrou em contato com o Inmetro e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para estruturar uma mudança de modelo na gestão dos recursos hídricos. “Buscamos identificar como a indústria brasileira pode contribuir neste esforço”.

Ao traçar um panorama dos níveis dos reservatórios para a geração hidrelétrica no curto e médio prazos, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, alertou que em todas as principais bacias do país choveu abaixo da média histórica em 2014. Segundo ele, seria necessário que os reservatórios do Sudeste chegassem a um nível médio de 32% no fim de abril deste ano para que não registre índice abaixo de 10% no fim de novembro. Uma das propostas do ONS é firmar, com o governo federal, uma articulação constante para tratar da gestão de situações críticas de escassez da água. “Temos uma característica que não pode se manter. Acabou a crise, vai todo mundo para sua casa e espera a próxima”, pontuou.


Fontes: Agência de Notícias CNI e Assessoria de Comunicação da Funceme
27 de março de 2015

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