Chuvas melhoram níveis dos reservatórios, mas grandes açudes ainda preocupam

6 de junho de 2019 # # # # #

Dos 42 monitorados que estão com volume acima de 90%, 26 estão sangrando; ainda há 06 totalmente secos e outros 72 com menos de 30% da capacidade

Castanhã, principal açude do Ceará, ainda encontra-se em situação preocupante (FOTO: Leandro Castro)

Castanhã, principal açude do Ceará, ainda encontra-se em situação preocupante (FOTO: Leandro Castro)

Após o fim da quadra chuvosa, a situação permanece de alerta quando o assunto é recarga hídrica nos 155 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). Se por um lado há açudes que atingiram o nível máximo e se encontram sangrando, por outro permanece preocupante a situação dos grandes açudes, que além de maiores em capacidade de reservação, transcendem as suas próprias bacias hidrográficas: Banabuiú, Orós e Castanhão. No quadro geral de monitoramento, há ainda 06 açudes secos, 18 em volume morto e outros 72 com menos de 30% de suas capacidades.

O volume de água armazenado nas bacias hidrográficas de Banabuiú, Médio Jaguaribe, Salgado, Alto Jaguaribe e Sertões de Crateús não foi o suficiente para garantir tranqüilidade hídrica ao Estado. Na bacia do Banabuiú existem apenas 9,54% de volume armazenado. Já na bacia no Médio Jaguaribe, onde se encontra o Castanhão, houve um aporte de apenas 5.74%.

Se compararmos os dados atuais com o final da quadra chuvosa de 2018 as bacias de Coreaú, Litoral, Ibiapaba, Acaraú, Curu, Metropolitana e Baixo Jaguaribe tiveram uma discreta melhora. Porém, nessa comparação, as bacias onde se encontram os principais reservatórios do Estado (Castanhão, Banabuiú e Orós) armazenaram menos água do que o ano passado.

No ano de 2015, quando o Governo do Estado decretou a implantação da Tarifa de Contingência, pela Cagece, o volume de água armazenado no Castanhão 8,54%. Atualmente, ao fim da quadra chuvosa de 2019, o volume do maior reservatório do Estado é de 5,53%, o que reforça a preocupação com a situação hídrica do Ceará. Quando nos referimos ao Sistema Jaguaribe – RMF a situação permanece igual. Em 06/10/2015, no ato declaratório da Tarifa de Contingência a situação de aporte era 1.8 milhão de m3. Ao fim do ano de 2015, o armazenamento representava 1.461 milhão de m3. Atualmente, mesmo com as chuvas o volume é menor, chegando a 1.242 milhão de m3.

Chuvas

Em 2019 ano, as chuvas foram mais concentradas ao Norte do Ceará. O “Sistema Metropolitano” – formado pelos açudes Pacajus, Pacoti, Riachão e Gavião – foi beneficiado com boas recargas. As bacias do Coreaú, Litoral e Baixo Jaguaribe atingiram mais de 90% de volume de água armazenado.

Diversificação da matriz

O secretário Francisco Teixeira (SRH), costuma afirmar que, em recursos hídricos não existem alternativas excludentes nem definitivas. Trocando em miúdos, Teixeira diz que,
no semiárido equatorial, não há uma solução, uma fórmula, mas um somatório de medidas que resultam na melhoria da garantia hídrica.

É no âmbito do Grupo de Contingência que as soluções costumam aparecer. Para uma cidade, poços profundos, para outra, a construção de adutora. Uma pequena comunidade pode ser atendida por dois chafarizes e assim as soluções vão concretizando de acordo com as necessidades. Somente na gestão do governador Camilo Santana, 8.894 poços foram perfurados pela Sohidra.

Medidas

Iniciativas como a adoção da Tarifa de Contingência para consumo residencial, o Encargo Emergencial para indústria, aliadas ao combate às fraudes resultaram em economia de cerca de 20% da água que se consome atualmente em Fortaleza em comparação ao que se consumia antes do atual quadro de escassez hídrica.

Também podem ser apontados como causa dessa redução, o investimento da Cagece no aumento da eficiência na retirada de vazamentos e a campanha publicitária veiculada pelo Governo do Estado com o mote “Cada Gota Conta”.