Área sem seca relativa no Ceará chega a 66%, mas cenário hídrico continua preocupante

20 de maio de 2019 # # # #

Reservatórios ainda apresentam baixo volume (FOTO: Leandro Castro)

De maneira geral, reservatórios ainda apresentam baixo volume (FOTO: Leandro Castro)

O mapa mais recente do Monitor de Secas do Nordeste mostra que o Ceará apresentava, em abril deste ano, 66% da sua área sem seca relativa. O dado é o mais positivo para o estado desde o início da série histórica do acompanhamento regular e periódico da estiagem na área do semiárido brasileiro.

Conforme a ferramenta, que é elaborada a partir de informações de instituições do Nordeste e de Minas Gerais com supervisão da Agência Nacional de Águas (ANA), a variação absoluta do percentual de área sem seca relativa no Ceará, entre março e abril, foi de 6,2%. Naquele mês, o estado tinha 59,71%.

A porção que apresenta os melhores resultados está concentrada no centro-norte do Ceará. Esta área é, justamente, a mais beneficiada com as precipitações da quadra chuvosa, que teve início em fevereiro. Até este momento, incluindo já dados parciais de maio, as macrorregiões do Litoral Norte, Litoral de Fortaleza, Litoral de Pecém e Ibiapaba apresentam desvio negativo. Já o estado como um todo, encontra-se na categoria “em torno da média”, que foi a maior probabilidade apontada pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) nos prognósticos climáticos.

“Os resultados do Monitor reforçam o quadro de diminuição da seca relativa que já vinha sendo observado nos meses mais recentes, principalmente entre a faixa litorânea e parte do interior do estado. Porém, o Cariri, que está localizado no sul do Ceará e tinha área com seca grave passou a apresentar condições de seca fraca devido também as chuvas mais recentes”, explica o meteorologista da Funceme, Raul Fritz.

Impactos

Neste momento, o Ceará apresenta condições de seca entre moderada e fraca. Neste cenário, os impactos são de longo prazo, com diminuição do plantio, das pastagens até danos às culturas e aos reservatórios.

 

Apesar do cenário de redução da estiagem, o estado ainda apresenta, dos 155 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), 73 com volume inferior aos 30%. O Castanhão, por exemplo, principal reservatório do Ceará tem, neste momento, apenas 5,5% de sua capacidade total.

“A variabilidade espacial é uma das principais características das chuvas no semiárido brasileiro, ou seja, chove bem em uma área, mas em outra não. É que o que vem sendo observado no Ceará, onde o norte recebeu mais chuvas até este momento. Já nas áreas que beneficiam os açudes de grande porte, como o próprio Castanhão, apresentam, de maneira geral, um certo déficit”, completa Fritz.

Sobre o Monitor

O Monitor de Secas é um processo de acompanhamento regular e periódico da situação da seca no Nordeste, cujos resultados consolidados são divulgados mensalmente. As informações são disponibilizadas até o mês anterior, com indicadores que refletem o curto prazo (últimos 3, 4 e 6 meses) e o longo prazo (últimos 12, 18 e 24 meses), indicando a evolução da seca na região.

A ferramenta tem como objetivo integrar o conhecimento técnico e científico já existente em diferentes instituições estaduais e federais para alcançar um entendimento comum sobre as condições de seca, como: sua severidade, a evolução espacial e no tempo, e seus impactos sobre os diferentes setores envolvidos. Ele facilita a tradução das informações em ferramentas e produtos utilizáveis por instituições tomadoras de decisão e indivíduos, de modo a fortalecer os mecanismos de Monitoramento, Previsão e Alerta Precoce.